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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Alcoólicos Anônimos



       A longas datas temos sido influenciados pela cultura da vergonha, uma cultura impregnada sobre o Brasil obviamente e inúmeros outros países. A que se dá isso?  A cultura da vergonha destitui o indivíduo do seu valor inerente. Ele não é mais a pessoa, mais o pecado ou crime que tenha cometido. E obviamente isso insere o contexto religioso/espiritual, afinal estamos entrelaçados dentro da cultura.

       Ouvi inúmeras vezes de líderes em alguns momentos da minha jornada cristã: “Líderes não são fracos nem frágeis, líderes não expõe suas fraquezas e limitações”. Mesmo sempre tendo achando isso uma questão absolutamente absurda, me entreguei a questão em si. Afinal eu era um líder, e se esse era o paradigma eu precisava vivencia-lo. Evidente que isso não me trouxe soluções, ao passo disso, trouxe um ministério solitário, sem ter a quem recorrer, conversar e desabafar, afinal se eu encontrasse um amigo para qual pudesse externar meus sentimentos, medos, emoções e meus pecados mais obscuros, essa pessoa olharia para mim de qual maneira? Imagine comigo verdades como essa em uma sociedade essencialmente verticalizada, onde somos a posição que estamos sendo desabafas? Já ouviu a expressão: “você sabe com quem está falando?” Então como poderia eu como um “líder” externar tais coisas?! Absolutamente não! Seria um tremendo absurdo

       Ao tempo em que fui evoluindo a minha caminhada, amadurecendo princípios, me estabelecendo em valores essencialmente bíblicos, pude entender que a transparência é o grande X da questão. A transparência traz consigo a capacidade de reconhecimento de onde preciso melhorar como pessoa/cristão. A transparência é em sua essência, completamente bíblica. E sabendo que Cristo nosso mestre, foi sempre franco com seus desejos, com suas vontades, seu propósitos e seus princípios para conosco, porque estaríamos entrelaçados somente as questões meramente sociais, em quanto poderíamos estar debitando a Ele toda a nossa verdade? Os paradoxos do nosso povo! Afinal externar minhas fraquezas pode trazer sobre mim julgamentos, e com isso evidentemente perder meu status social, meu cargo ministério ou coisas do gênero, seguindo na contra mão do que é mais importante e prioritário.

       Princípio do Alcoólicos Anônimos. Já vimos cenas de homens e mulheres sentados em rodas, apresentando-se e explorando seus problemas, ali onde ninguém era julgado, condenado, crucificado por seus erros cometidos, mas sabiam que seria um lugar de conforto e acalento, pois sabiam que todos são iguais e buscam o melhor para si. Vimos isso diversas vezes em filmes. “Olá Meu nome é Fabrício, Eu sou um alcoólatra” Imagine o poder que isso teria sobre todos nós, se fizéssemos isso no âmbito da espiritualidade. “Olá Meu nome é Fabrício, eu sou o maior pecador, fiz isso aquilo e aquilo outro” Não teríamos mais êxito sobre as nossas próprias lutas interiores, do que maquia-las buscando uma aprovação social?! Seria mais justo, mais digno viver uma vida com limitações e fragilidades, afinal somos homens e estamos inclinados ao erro evidentemente. O reconhecimento nutrirá sempre em nós a consciência que necessitamos do agir de Cristo, o mover do seu Espírito para alcançarmos nEle e através dEle, uma vida plena e em abundância de intimidade.

       Meu desejo é que possamos viver a transparência sem medo de julgamentos, apontamentos, e iria além, que aprendamos não apontar muito menos a julgar, todos aqueles que pecam/erram de uma maneira diferente da nossa. Que possamos viver o amor, a compaixão e a misericórdia. Afinal as misericórdia sobressaem o juízo.

       A transparência com nossas limitações, medos, erros e acertos, nós fará experimentar a liberdade genuína de Cristo. 

Grande Abraço
Fabrício Tarles

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